O nome "cotovia" alude especialmente à calhandra (do grego kálandra) ou laverca (do gótico *láwerka), de nome científico Alauda arvensis, é encontrada na Europa, Ásia e África e particularmente famosa pelo canto melodioso.
É chamada em inglês skylark; em francês alouette des champs; em castelhano alondra común; em italiano allodola; em grego Σιταρήθρα, sitarêthra; em alemão Feldlerche; em dinamarquês sanglærke; em holandês veldleeuwerik; em finlandês kiuru; em sueco, sånglärka.
A cotovia é considerada como sendo um símbolo da união entre os reinos terrestre e celestial. É tida como "anjo da primavera que voa alto nos céus, desperta a esperança onde quer que vá com seu canto belo e inigualável.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
“Extingue-se o dia, mas não o canto da cotovia” Matsuo Bashô!
Alô, cotovia ! Aonde voaste, Por onde andaste, Que tantas saudades me deixastes ?
- Andei onde deu o vento. Onde foi meu pensamento. Em sítios, que nunca viste, De um país que não existe ... Voltei, te trouxe a alegria.
- Muito contas, cotovia ! E que outras terras distantes Visitastes ? Dize ao triste.
- Líbia ardente, Cítia fria, Europa, França, bahia ...
- Voei ao Recife, no cais Pousei na rua da Aurora.
- Aurora da minha vida, Que os anos não trazem mais !
Os anos não, nem os dias, Que isso cabe às cotovias. Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo : Se enche com uma gota de água. Mas sei torcer o destino, Sei no espaço de um segundo Limpar o pesar mais fundo. Voei ao Recife, e dos longes Das distâncias, aonde alcança Só a asa da cotovia, - Do mais remoto e perempto Dos teus dias de criança Te trouxe a extinta esperança, Trouxe a perdida alegria.
É conhecida pelo seu canto característico. O seu vôo é ondulante, caracterizado por descidas rápidas e ascensões lentas alternadas. Os machos elevam-se até aos 100 metros ou mais, até parecer apenas um ponto no céu onde descreve círculos e continua a cantar.
É difícil de distinguir no chão devido ao seu dorso acastanhado com estrias escuras. O seu ventre é pálido, com manchas alvacentas.
Alimenta-se de sementes. Na época do acasalamento acrescenta ao seu regime alimentar alguns insectos.
A cotovia foi também o nome informal da V Alaudae, uma legião romana recrutada por Júlio César.
Na literatura
* A cotovia tem sido muito utilizada em canções e em poemas (é o nome de uma editora portuguesa especializada em poesia). * Na peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta, os dois amantes, depois de uma noite de amor, discutem se o pássaro que ouvem lá fora é a cotovia ou o rouxinol, preferindo este último, que canta durante a noite, enquanto a cotovia anuncia o dia e, com ele, a separação dos amantes. * São Francisco de Assis tinha nas cotovias suas amigas prediletas na natureza, as chamava irmãs cotovias, a literatura franciscana é repleta de citações destes pássaros. * Uma ode, de Percy Bysshe Shelley sobre a cotovia inicia-se com uma frase bem conhecida do público anglófono:
Hail to thee, blithe spirit! Bird thou never wert!
Avé, alegre espírito! Tu que nunca foste pássaro!
* Na obra Les Miserables de Victor Hugo, o autor conta em determinado trecho a história de uma linda menina (Cosette) que após ser deixada aos cuidados de uma família má, devido aos maus tratos e trabalhos forçados, adquire um aspecto doente e fica muito magra, devido a isto as pessoas que a conhecem começam a chamá-la Cotovia.