quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Houve um incêndio na floresta
e enquanto todos os bichos corriam apavorados,
um pequeno beija-flor ia do rio para
o incêndio levando gotinhas de água em seu bico.
O leão, vendo aquilo, perguntou para o beija-flor:
"Ó beija-flor, você acha que vai conseguir apagar o incêndio sozinho?"
E o beija-flor respondeu:
"Eu não sei se vou conseguir,
mas estou fazendo a minha parte".
Tu escreves como o pássaro canta.
Teu gorjeio? Versos.
Se não cantasses,
As manhãs seriam menos vermelhas
E os crepúsculos menos azuis.
Quando a embriaguez te inspira,
Os Imortais inclinam-se das nuvens
Para te escutarem,
O tempo suspende seu vôo,
O bem-amado esquece a bem-amada.
Tu és o Sol e nós,
Os outros poetas,
Somos apenas estrelas.
Acolhe,
Ó meu amigo,
O balbucio do meu respeito!
( Desconheço o autor)
O beija-flor
O beija-flor
Já não beija
Nem o sol
Nem a flor
O beija-flor
Já não tem flor
Nem beijo
Nem ensejo
De continuar a ser
Beija-flor.
João Manuel Ribeiro
Já não beija
Nem o sol
Nem a flor
O beija-flor
Já não tem flor
Nem beijo
Nem ensejo
De continuar a ser
Beija-flor.
João Manuel Ribeiro
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Mário Quintana
Assinar:
Postagens (Atom)


